Algumas pessoas acreditam que "descobriram a América" ao fazer comparações das músicas do Led Zeppelin com antigas canções de blues.
O caso mais famoso foi o de "Whole Lotta Love". Posteriormente, Robert Plant reconheceu o plágio nas letras e o nome de Willie Dixion passou a constar nos créditos da música.
Escrevi um texto, uma vez, no qual tratava das limitações do letrista Plant diante da genialidade musical de Jimmy Page.
Mas... e "Dazed and Confused"? Escrevi que esse poderia ser plágio de Page na medida em que o guitarrista do Led Zeppelin sempre admitiu que não escrevia letras para as músicas.
Apesar disto, nunca houve processo contra Jimmy Page. Somente em 2010, décadas depois, Jake Holmes tentou processar Page. Contudo, havia certas contradições no processo.
Primeiro, comparando o que seriam as duas versões, no website TMZ*, é dito: "os versos são diferentes". Ou seja, exatamente na parte que Jimmy Page poderia plagiar, ele foi original.
Segundo, Page sempre teve uma dedicação especial para essa canção. Se, em 1969, ela tinha pouco mais de 6 minutos, na sua versão ao vivo de 1973 - que aparece no filme "The Song Remains The Same" - ela chega a quase meia hora, ocupando um lado inteiro de um dos dois LPs lançados em 1976.
Terceiro, se era cópia, por que esperar mais de 40 anos para processar o guitarrista do Zeppelin? A pergunta e "a resposta" aparecem no mesmo website:
"o advogado de Jake Holmes não quis comentar." ("His attorney had no comment.")*
Sim, é inacreditável. Portanto, para buscar "a verdadeira" autoria de "Dazed and Confused", o susposto músico terá que apresentar um argumentação melhor. Enquanto isso, vale o que sempre existiu: a música e a letra são de um único autor: James Patrick Page.
* http://www.tmz.com/2010/06/29/led-zeppelin-dazed-and-confused-jimmy-page-lawsuit-jake-holmes/
"Exijo a possibilidade de viver plenamente a contradição da minha época, que pode levar de um sarcasmo a condição de verdade." Roland Barthes
sexta-feira, 13 de julho de 2012
ARCADIA & THE POWER STATION
- Quando o assunto é "pop music", a maioria liga "a luz do preconceito". É razoável, admito.
- Entretanto, na década de 1980, no auge de sua popularidade, os músicos do Duran Duran criaram dois projetos diferentes. Andy e John Taylor, com os músicos do Chic e com Robert Palmer, fizeram muito sucesso com "The Power Station". Fizeram e lançaram vídeos, mas o destaque foi a tour, com um show no Live Aid em 1985 (Michael Des Barres assumiria os vocais). O segundo álbum do grupo, "Living in Fear", sem o baixo de John Taylor mas com a volta de Robert Palmer não fez sucesso. Trata-se de um bom CD, mas que não agrada de imediato.
- O outro projeto do Duran ficou por conta do Nick Rhodes, Simon Le Bon e Roger Taylor. O álbum "So Red The Rose" conta com várias participações especiais, como Sting, Grace Jones e David Gilmour. Não é um som pesado como o do Power Station, se for para rotular, estaria mais na linha do chamado "progressivo". É ótimo. A sonoridade é fantástica e fica clara a liderança de Nick Rhodes. Não houve tour. Os vídeos, porém, foram extremamente sofisticados e fizeram sucesso na MTV e foram lançado no formato VHS.
- Após os projetos, os músicos do Duran se reuniram para o que seria o próximo álbum da banda, "Notorious". O quinteto tornou-se trio com as ausências de Roger e Andy Taylor. Essa tour passou pelo Brasil em janeiro de 1988. Eu vi o show do Rio. Maravilhoso. Além dos sucessos do Duran, tive o prazer de ver os músicos tocaram uma música tanto do Arcadia como do Power Station. Como Duran Duran, foram lançados outros álbuns, mas o auge seria mesmo o ano de 1985.
terça-feira, 26 de junho de 2012
MEDIOCRIDADE
- É o caso de DAVID GILMOUR, ex guitarrista do Pink Floyd, que disse que a banda sustentou o Syd Barret por 30 anos. Gilmour "esquece" que ele NÃO estava na concepção do que seria o Pink Floyd e nem nos primeiros álbuns. Quando ele entrou no grupo, para substituir Syd, o Floyd já era sucesso. "Esquece" ainda que o dinheiro pago pela banda ao Syd tratava dos direitos do fundador da banda quanto aos primeiros discos. Roger Waters demonstra mais respeito ao tratar do tema.
- O vocalista do Led Zeppelin, que foi muito criticado na primeira tour pelos Estados Unidos, o que levou ao líder da banda, Jimmy Page, em pensar em substituí-lo, assumiu depois do fim do grupo que teria copiado a letra de "Whole Lotta Love" e foi descoberto só porque tornou-se famoso, caso contrário... Para ROBERT PLANT, o problema não seria copiar o outro e sim ser descoberto.
- Os músicos do YES demitiram o vocalista Jon Anderson e colocaram um vocalista de uma BANDA COVER - Benoit David - no seu lugar. David ficou doente e foi substituído por outro vocalista de banda COVER - Jon Davison do "Yes Roundabout".
- Os músicos do QUEENSRYCHE demitiram o vocalista Geoff Tate, co-fundador do grupo, após 30 anos tocando juntos. Motivo: interesse econômico, pois Geoff Tate ficava com 25% dos lucros da banda.
domingo, 17 de junho de 2012
DAVE GROHL & LED ZEPPELIN
- Eu sou fã do Led Zeppelin, fui membro de um fã-clube dos E.U.A, "Feathers in the Wind", e coordenei o jornal "The Rover" (1984-1986) aqui no Brasil.
- Digo isso pois acho que chega a ser constrangedora a "veneração" de Dave Grohl quanto aos músicos da banda.
- É verdade que a primeira vez que vi o Jimmy Page tocar ao vivo em São Paulo (com Robert Plant) fiquei tão impressionado que não lembro coisa alguma do show!!! Depois vi o show do Rio, e foi tudo OK.
- Aliás, o meu primeiro disco do Led Zeppelin foi presente do meu pai em 1976 (ano do lançamento do LP). Com o salário do meu primeiro emprego, comprei o "In Through the Out Door" em 1979 (também ano do lançamento do disco).
- Bons tempos? Para o Led Zeppelin, provavelmente. Para mim, a barra era muito pesada na década de 1970.
sábado, 31 de março de 2012
HEAVY METAL & RELIGIÃO
Até assistir ao show do B-52's com Tyma Weymouth and Chris do Talking Heads / Tom Tom Club e ouvir o álbum (pesado e bom) do Power Station (metade dos músicos eram do Duran Duran), eu admito que só ouvia heavy metal e achava todo o resto um lixo... Ainda tinha paciência para ouvir gente discutindo qual seria a melhor banda, guitarrista ou baterista do rock pesado...
Duas coisas sempre me chamaram a atenção nesse gênero:
1. Vi muitos shows e fui em alguns festivais. O número de homens sempre fui superior ao de mulheres, muito superior. Na primeira noite do metal no Brasil, no Rock in Rio, em 1985, parecia mais um grande pátio de prisão: basicamente homens vestidos de preto, muitas drogas e, claro, som pesado.
2. A associação do hevay metal com o diabo...
Os Rolling Stones escreveram "Sympathy For The Devil" em 1969 (a referência era Lúcifer).
Os músicos do Black Sabbath, a partir dos filmes de terror, resolveram escrever assim. Nunca foram ocultistas.
Os músicos do Led Zeppelin, especialmente o Jimmy Page, não escondiam a simpatia pelo ocultismo. Apesar de influenciar algumas letras da banda, Robert Plant tratou de outros temas nas músicas do Zeppelin.
Na sua origem, na década de 1950, o rock era tido como a "música do diabo".
Talvez esses fatores tenham influenciado a associação do heavy metal com a figura do diabo. Como os representantes do cristianismo eram os principais críticos do rock na década de 1950, a oposição à essa religião levaria ao seu oposto - o diabo.
O conceito de diabo é uma construção recente. Antes, havia outras religiões que se baseavam no dualismo do bem e do mal. De acordo com o documentário "Zeitgeist", todas foram influenciadas pela concepção do Egito Antigo (por por de 3.000 anos a. C.), que tinha "Hórus, sendo o sol ou a luz" e, por outro lado, existia Set "e Set era a personificação das trevas da noite."
Nesta perspectiva, a referência mais correta ao "mundo da trevas" seria Set e não o diabo (Lúcifer ou Satanás).
Duas coisas sempre me chamaram a atenção nesse gênero:
1. Vi muitos shows e fui em alguns festivais. O número de homens sempre fui superior ao de mulheres, muito superior. Na primeira noite do metal no Brasil, no Rock in Rio, em 1985, parecia mais um grande pátio de prisão: basicamente homens vestidos de preto, muitas drogas e, claro, som pesado.
2. A associação do hevay metal com o diabo...
Os Rolling Stones escreveram "Sympathy For The Devil" em 1969 (a referência era Lúcifer).
Os músicos do Black Sabbath, a partir dos filmes de terror, resolveram escrever assim. Nunca foram ocultistas.
Os músicos do Led Zeppelin, especialmente o Jimmy Page, não escondiam a simpatia pelo ocultismo. Apesar de influenciar algumas letras da banda, Robert Plant tratou de outros temas nas músicas do Zeppelin.
Na sua origem, na década de 1950, o rock era tido como a "música do diabo".
Talvez esses fatores tenham influenciado a associação do heavy metal com a figura do diabo. Como os representantes do cristianismo eram os principais críticos do rock na década de 1950, a oposição à essa religião levaria ao seu oposto - o diabo.
O conceito de diabo é uma construção recente. Antes, havia outras religiões que se baseavam no dualismo do bem e do mal. De acordo com o documentário "Zeitgeist", todas foram influenciadas pela concepção do Egito Antigo (por por de 3.000 anos a. C.), que tinha "Hórus, sendo o sol ou a luz" e, por outro lado, existia Set "e Set era a personificação das trevas da noite."
Nesta perspectiva, a referência mais correta ao "mundo da trevas" seria Set e não o diabo (Lúcifer ou Satanás).
domingo, 25 de março de 2012
COZY POWELL
O Robert Plant, quando fala mal do Led Zeppelin, é pura inveja do Jimmy Page que era o líder e o principal responsável pelo som da banda.
No seu primeiro disco solo, "Pictures of Eleven", as duas melhores faixas são as que o Cozy Powell (amigo de John Bonham) toca na bateria: "Slow Dancer" e "Like I've Never Been Gone". Cozy Powell consegue lembrar o estilo de Bonham e, ao mesmo tempo, impor a sua maneira de tocar. Perfeito!!!
A sua insistência em resgatar a sonoridade do Led Zeppelin irritou o Plant, que chamou o óbvio Phil Collins para tocar no resto do álbum. Na sua primeira "tour" solo, Plant se recusava a cantar músicas do Zeppelin. Freud explicaria.
Eu vi o Cozy Powell tocar ao vivo uma vez, com o Whitesnake, na noite "heavy metal" do primeiro Rock in Rio. Impressionado com o radicalismo e pela quantidade dos chamados "metaleiros", David Coverdale avisou no início do show: "faremos o máximo de barulho possível." Com certeza, Cozy Powell contribuiu para isso, com muita qualidade, naturalmente.
Na mesma noite, eu fiquei muito irritado com o baterista do Ozzy, que no seu solo, copiou descaradamente o John Bonham ao tocar com as mãos... A maioria, menos avisada, achou que aquilo era algo inédito!!! Depois tentaram amenizar falando que seria uma "homenagem"... uma coisa bem diferente para quem estava lá e viu tudo ao vivo.
Anos depois, eu assistiria três shows do Robert Plant no Brasil. Mas isso, claro, é outra história.
No seu primeiro disco solo, "Pictures of Eleven", as duas melhores faixas são as que o Cozy Powell (amigo de John Bonham) toca na bateria: "Slow Dancer" e "Like I've Never Been Gone". Cozy Powell consegue lembrar o estilo de Bonham e, ao mesmo tempo, impor a sua maneira de tocar. Perfeito!!!
A sua insistência em resgatar a sonoridade do Led Zeppelin irritou o Plant, que chamou o óbvio Phil Collins para tocar no resto do álbum. Na sua primeira "tour" solo, Plant se recusava a cantar músicas do Zeppelin. Freud explicaria.
Eu vi o Cozy Powell tocar ao vivo uma vez, com o Whitesnake, na noite "heavy metal" do primeiro Rock in Rio. Impressionado com o radicalismo e pela quantidade dos chamados "metaleiros", David Coverdale avisou no início do show: "faremos o máximo de barulho possível." Com certeza, Cozy Powell contribuiu para isso, com muita qualidade, naturalmente.
Na mesma noite, eu fiquei muito irritado com o baterista do Ozzy, que no seu solo, copiou descaradamente o John Bonham ao tocar com as mãos... A maioria, menos avisada, achou que aquilo era algo inédito!!! Depois tentaram amenizar falando que seria uma "homenagem"... uma coisa bem diferente para quem estava lá e viu tudo ao vivo.
Anos depois, eu assistiria três shows do Robert Plant no Brasil. Mas isso, claro, é outra história.
sábado, 3 de março de 2012
† PATRICIA MORRISON & THE SISTERS OF MERCY †
† O álbum "Floodland" é um clássico e foi feito basicamente ao som do baixo de Patricia Morrison. Andrew Eldritch havia trabalhado com ela no projeto do Sisterhood. Não houve tour para o "Floodland". Para o que seria o próximo álbum, "Vision Thing", não seriam só vídeos promocionais. Nos ensaios, havia um novo membro na banda: o guitarrista Andreas Bruhn.
† Os primeiros shows da nova fase, em1990, seriam no Brasil. Dos cinco shows, eu vi três, um em São Paulo e dois no Rio. Isso significa que quase vi a Patricia Morrison tocar ao vivo (o sonho de qualquer fã).
† No entanto, Eldritch tinha outros planos. Iria fazer um álbum com base no som de guitarras e não do baixo - o que desagradou muita gente. Andreas Bruhn era o "cara". Demitiu Patricia Morrison e chamou para o seu lugar - revolta geral !! - o inexpressivo, falso e odiado Tony James, ex-líder da banda "fake" Sigue Sigue Sputnik.
† Assim, a formação que tocou no álbum e que veio ao Brasil foram os três, mais o guitarrista Tim Brechno (ex-All About Eve) e, claro, Doktor Avalanche.
† Tony James foi demitido ainda durante a "Vision Thing Tour". Não entrou outro baixista. Esse seria mais um trabalho para Doktor Avalanche.
† O grupo teve várias formações depois disto. No show que vi no Circo Voador, em 2006, não havia baixista. Em algumas músicas, contudo, um dos guitarristas tocava o contra-baixo.
† Os primeiros shows da nova fase, em1990, seriam no Brasil. Dos cinco shows, eu vi três, um em São Paulo e dois no Rio. Isso significa que quase vi a Patricia Morrison tocar ao vivo (o sonho de qualquer fã).
† No entanto, Eldritch tinha outros planos. Iria fazer um álbum com base no som de guitarras e não do baixo - o que desagradou muita gente. Andreas Bruhn era o "cara". Demitiu Patricia Morrison e chamou para o seu lugar - revolta geral !! - o inexpressivo, falso e odiado Tony James, ex-líder da banda "fake" Sigue Sigue Sputnik.
† Assim, a formação que tocou no álbum e que veio ao Brasil foram os três, mais o guitarrista Tim Brechno (ex-All About Eve) e, claro, Doktor Avalanche.
† Tony James foi demitido ainda durante a "Vision Thing Tour". Não entrou outro baixista. Esse seria mais um trabalho para Doktor Avalanche.
† O grupo teve várias formações depois disto. No show que vi no Circo Voador, em 2006, não havia baixista. Em algumas músicas, contudo, um dos guitarristas tocava o contra-baixo.
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