sexta-feira, 14 de novembro de 2014

SOLOS & THE ROLLING STONES

Escrever sobre os Rolling Stones é difícil. Afinal, eles ainda estão por aí, com mais de 70 anos, lançando álbuns e fazendo shows. Se alguém deseja saber algo, bastaria perguntar diretamente para os músicos.
Existem inúmeros livros e artigos sobre o grupo, sem falar das entrevistas, filmes, CD-ROMs e muitos outros tipos de fontes.
Portanto, não é uma tarefa fácil escrever algo novo ou apresentar uma análise interessante sobre a banda.
Mesmo assim, não custa tentar.
Quando vou beber e fumar no meu lugar favorito atualmente – a Tabacaria Be Happy-, levo um livro de bolso do Hervé Guilhemont (Rolling Stones, Paris: Editions Prelude e Fugue, 1997).
Não é uma obra prima, mas é um autor francês analisando um grupo de rock inglês.
Gosto de ler em francês, gosto da praticidade do livro de bolso, então, nada mais indicado para uma tabacaria.
Interessei-me mais pela década de 1980 porque foi quando Mick Jagger começou a lançar os seus discos solos (contra a vontade de Keith Richards).
O vocalista dos Rolling Stones acreditava, na época, que poderia sobreviver sem a banda na medida em que ele era a principal estrela do grupo. Isso é comum em grupos de rock. No caso da banda inglesa, havia o outro lado – com uma personalidade forte e o verdadeiro responsável pela música dos Stones – Mr. Keith Richards.
Foi uma batalha entre os dois. O auge talvez tenha sido 1985, ano do Live Aid, quando até os músicos do Led Zeppelin se reuniram para o evento mas os Rolling Stones não se apresentaram juntos no festival. Mick Jagger preferiu cantar com a Tina Turner enquanto Keith Richards e Ron Wood subiam ao palco (visivelmente embriagados) com Bob Dylan.
É dessa época um dos melhores discos do grupo: “Dirty Work”. Keith Richards concebeu e fez o disco praticamente sozinho, sem o envolvimento dos outros membros da banda. A capa do álbum fala por si.
Para obter o resultado final em “Dirty Work”, Richards contou com a ajuda de amigos como Jimmy Page, Tom Waits, Jimmy Cliff, entre outros.
Aliás, Jimmy Page havia participado de outros alguns dos Rolling Stones, quando trabalhava como músico de estúdio. Além da amizade, havia algo em comum entre o guitarrista do Led Zeppelin e Keith Richards: o lado “selvagem” das excursões e dos shows, com o excesso de bebidas, drogas e groupies. Charlie Watts confirmaria tal hipótese quando foi questionado sobre a fama de “bad boys” dos Rolling Stones:
“Somos comportados, na verdade, quando somos comparados com outros grupos – basta você ouvir as histórias -, os músicos do Led Zeppelin eram muito piores do que nós.” (Musik, July 2000, p. 176)
Jimmy Page não foi tão longe no uso da heroína como Keith Richards. Nem o guitarrista dos Stones viveu tanto o cenário das groupies como Jimmy Page. No entanto, os dois souberam aproveitar bastante os anos 1970.

DEPECHE MODE NA ALEMANHA

A “Touring The Angel” do Depeche Mode não viria ao Brasil. Decidimos (então) ver o show na Europa. A melhor data seria no dia 26 de janeiro de 2006 em Frankfurt. Já tínhamos ido na Alemanha duas vezes e sabíamos que neste período, além do frio, havia neve.
Descobrimos, no hotel em Frankfurt, que os ingressos estavam esgotados. Havia mais de três meses (fomos informados). Fomos lá por causa do show e, assim, teríamos que dar um jeito.
No táxi, indo para Festhalle, conversando com o motorista, fomos avisados que era um pouco perigoso (e pouco comum) negociar com cambistas na Alemanha.
Fomos assim mesmo e na bilheteria a funcionária disse o que sabíamos: não havia ingressos. Não resolveu falar que saímos do Brasil só para ver o show em Frankfurt.
Começava a nevar. As pessoas, com ingressos, entravam em Festhalle. Havia uma faixa enorme avisando do perigo de comprar ingressos dos cambistas. Contudo, não havia outra alternativa. Sob neve e numa mistura de alemão e inglês, houve a tal negociação ali mesmo, na porta da casa de shows. O preço original era 59,50 euros. Não houve conversa. Queríamos dois ingressos e o total saiu por 300 euros.
O problema persistia por causa das várias recomendações quanto aos cambistas. Se os ingressos fossem falsos, num país estrangeiro, além de sermos barrados, não sabíamos se existiriam outras penalidades.
No final, deu certo. Entramos. Ficamos na pista (perto do palco). O show foi ótimo.
Não imaginava, pelo estilo de música da banda, que haveria tantos homens (heterossexuais) no show. Pensava que seria um público mais ao estilo do Pet Shop Boys ou do Erasure (shows que vi aqui no Brasil). Estava enganado. Pelo que percebi, grupos como Depeche Mode, The Cure e The Sisters of Mercy são muito respeitados na Alemanha.
O show não foi tão bom como o que vi do U2 em Paris em 2001 (“Elevation Tour” que também não passou pelo Brasil), mas foi divertido. Foi uma boa experiência.

Jimmy Page com Jeff Koons

A entrevista do Jimmy Page com Jeff Koons (para 92 Y Plus) durou uma hora, 18 minutos e 57 minutos. O tema era o livro de fotos do guitarrista do Led Zeppelin.
O longo tempo deu bastante liberdade ao Jimmy Page para contar detalhes sobre várias fotos, explicando o contexto de cada época e o processo de criação de sua música.
É interessante que ele inicia os comentários (claro) falando do seu interesse pela guitarra desde criança e em seguida comenta as fotos
da formação do primeiro grupo,
da fase de músico de estúdio,
do convite de Jeff Beck para ele tocar no Yardbirds,
da fase do Led Zeppelin,
da importância de Jason Bonham na excursão de 1988 e no show de 2007 no O2 Arena,
do projeto da MTV com Robert Plant,
do projeto que ele fez com The Black Crowes,
da performance com Leona Lewis no final das olimpíadas na China e
do documentário The Might Get Louder.
No final, vieram as perguntas do público e a questão mais importante foi sobre os projetos para 2015.
Jimmy Page disse que pretende continuar com os atuais trabalhos de edição do material do Led Zeppelin e pretende ainda dar continuidade ao projeto “Celebration Day”, o que significa, na prática, que ele efetivamente deseja voltar a tocar ao vivo no próximo ano a partir de um projeto secreto que só ele sabe.
Foi uma longa e bela entrevista.

LED ZEPPELIN: UM POUCO DE HISTÓRIA*

(*) Este texto foi publicado anteriormente (com outro título).

O Led Zeppelin foi formado por dois experientes músicos de estúdio - Jimmy Page e John Paul Jones - e dois jovens desconhecidos - Robert Plant e John Bonham), sendo que um revolucionaria o jeito de tocar bateria e definiria, de certa maneira, o caminho que o grupo iria tomar (inicialmente, Page havia pensado em formar um grupo mais acústico, "folk").
O mais inexpressivo no começo da banda era o vocalista Plant - tão inexpressivo, que, na época, o assistente do empresário do Led Zeppelin, Richard Cole (sim, aquele indivíduo de bigode que leva uma bronca enorme de Peter Grant no filme "The Song Remais The Same") mandou o vocalista comprar sanduíches para o pessoal do grupo (ver o livro "Hammer of Gods"). Claro que logo essa situação mudaria e Robert Plant seria um dos destaques do Zeppelin e um dos ícones do rock.
Depois do fim da banda, Plant gostava, algumas vezes, de fazer trocadilhos ou falar mal do Led Zeppelin. Talvez ele nunca tenha esquecido a humilhação de Richard Cole... Quando fez o seu primeiro disco solo, "Pictures of Eleven", ele o mostrou para os ex-companheiros Page e Jones. Page aprovou. Jones fez críticas:
"Bem, ah, eu pensei que você poderia ter feito algo um pouquinho melhor, velho amigo." Ao que Plant respondeu: "bem, obrigado. E mais uma vez, eu sou apenas o cantor das músicas." (Guitar World, July 1986, p. 64)
Robert Plant não esqueceria as críticas de John Paul Jones. Quando resolveu fazer o "unpplugged" da MTV com Jimmy Page e em seguida ambos gravariam dois álbuns e realizariam duas tours, Plant responderia ao baixista do Zeppelin. Sempre que era questionado por que Jones não havia sido convidado para participar do projeto, Plant respondia com alguma piada ou ironia, como "Jones ficou lá fora estacionando os carros..."
Quando Jimmy Page fez o projeto com David Coverdale, Robert Plant o criticou bastante, sobretudo afirmando que Coverdale o imitava e que se o que ele (Plant) fazia na época (do Zeppelin) já era ridículo, imagina o que sobraria para os plagiadores.
Robert Plant exagerava, claro, e não poupava nem a si mesmo. As ironias quanto à importância do Led Zeppelin devem vir do fato de que tudo na banda era criado e controlado por Jimmy Page. Não havia dúvidas de que se tratava do grupo de Jimmy Page. Plant era "apenas o cantor das músicas." Apesar de ter feito letras interessantes, como "That's the Way", "Going to California" e "The Rain Song", o vocalista era acusado de plágio. A sua justificativa seria que nem sempre dava para acompanhar a criatividade musical de Jimmy Page. Ou seja, o guitarrista chegava com a música e ele tinha que criar a letra. Nas palavras do próprio Robert Plant:
"O 'riff' do Page é o 'riff' do Page e pronto. Ele estava lá antes de qualquer coisa. Daí, eu pensava: 'bem, o que eu vou cantar?' Foi isso [com a letra de Whole Lotta Love], um plágio. Ainda bem que agora já foi pago. Na época, houve muita conversa sobre o que fazer. Foi decidido que a música estava tão além do seu tempo... Bem, você só é descoberto quando faz sucesso. Esse é o jogo." (Musician, June 1990, p. 47)
O reconhecimento do talento de Jimmy Page não era feito somente pelos companheiros de banda. Na época em que era músico de estúdio, Page participou de gravações de grupos como The Who e The Kinks. Keith Richards conheceu Page com a ajuda de Ian Stweart (o "sexto" stone) - aliás, Stu foi um dos poucos que participou de um disco oficial do Led Zeppelin. Jimmy Page participou de alguns discos dos Stones na década de 1960, assim como John Paul Jones. Depois do fim do Zeppelin, Richards chamou Page para ajudar no álbum "Dirty Work". Sobre a relação entre os dois, Richards lembrou uma história interessante:
"De fato, para 'Heart of Stone', Jimmy fez a demo original. Andrew [Loog Oldham, produtor] iria passar a música para outra pessoa. Assim, quando decidimos que 'nós' faríamos a música, eu copiei o solo de Jimmy (quase) nota por nota." (Guitar World, July 1986, p. 72)
Falar da história do rock é tratar de egos e de ironias. Talvez por isso seja praticamente impossível pensar numa análise freudiana no que diz respeitos os ícones deste estilo musical...

sábado, 20 de setembro de 2014

HOLLYWOOD ROCK: NIRVANA & ALICE IN CHAINS

A pessoa deve saber quando sair de cena.
Não parece adequado insistir em algo que deu certo só para agradar o (s) outro (s).
Uma namorada, certa vez, demonstrou irritação com uma ex que queria voltar: “ela já teve a vez dela.”
Foco. Viver intensamente o aqui e o agora para não arrepender depois. Em suma... “timing”.
Ficar no arrependimento é, mais uma vez, perder o aqui e o agora.
Nem sempre existe paciência para lidar com gente inteligente, sensível e diferente.
Isso não significa deixar de perceber que a pessoa seria inteligente, sensível e diferente.
Já comentei que (quando vi o Nirvana ao vivo) estava sem paciência com Kurt Cobain e companhia e, se dependesse só de mim (não estava sozinho), teria ido embora mais cedo do estádio.
Valeu ficar e ver o bis com os músicos trocando de lugares (Kurt foi para a bateria!!) e tocando covers de bandas como The Clash e Duran Duran.
Não compreendo o fascínio de muitos pelo Foo Fighters ou pelo Pearl Jam. Já tentei, de fato, conhecer as duas bandas, especialmente no caso do ex-músico do Nirvana. Não deu.
Eu sou fã do Led Zeppelin e vejo com simpatia (apesar dos exageros) os elogios de Dave Grohl quanto ao histórico e importância do grupo inglês para o rock ‘n’ roll. Contudo, não consigo deixar de ver o Grohl como um adolescente deslumbrado que teve a sorte de tocar no Nirvana.
Gosto bem mais da postura do Krist Novoselic quando não insiste em criar um mega projeto para si mesmo a partir de um passado que era definido por Cobain.
Acho interessante a postura do “ok, aquele foi o momento e pronto”.
Sobre o meu mal estar diante do show do Nirvana no Morumbi, parece que eu não fui o único caso:
"110 mil pessoas e a maior multidão para a qual o Nirvana já tocou, tanto a equipe como a banda se lembram dele como a pior apresentação que já haviam feito."*
De acordo com Mariana Tramontina, se, no caso do show do Rio,
“partes (...) integram o registro ao vivo da banda ‘Live! Tonight! Sold Out!!’, lançado em VHS em 1994 e em DVD em 2006, (...) o show do Nirvana no Morumbi, no entanto, [tornou-se] um objeto de desejo dos fãs de toda parte do mundo. Em tempos quando não havia smartphone e que câmeras portáteis não eram tão acessíveis, pouco registro se tem daquela apresentação.”**
Naquele festival vi também Alice in Chains (AIL).
Não fui no último Rock in Rio. Lembro que estava num bar, em Uberlândia, e na televisão passava os shows do festival. Fiquei meio surpreso ao ver o AIL. O vocalista era outro (claro) mas tudo parecia mais uma banda cover do AIL do que o grupo original.
É a velha história do “aqui e agora” ou do “só se vive uma vez”. Ficar repetindo seria uma forma de continuar sobrevivendo e, ao mesmo tempo, de deixar de viver.
Pois é.
(*) Charles R. Cross, "Mais Pesado que o Céu", Apud, Mariana Tramontina, Há 20 anos, Nirvana fazia "pior show" da carreira no Hollywood Rock do grunge. http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2013/01/16/ha-20-anos-nirvana-fazia-em-sao-paulo-show-mais-surreal-e-emblematico-da-carreira.htm
(**) Mariana Tramontina, Há 20 anos, Nirvana fazia "pior show" da carreira no Hollywood Rock do grunge. http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2013/01/16/ha-20-anos-nirvana-fazia-em-sao-paulo-show-mais-surreal-e-emblematico-da-carreira.htm

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

DIRTY WORK

Em 1985, houve o Live Aid. Os Rolling Stones estavam lá, mas não tocaram juntos no evento. Keith Richards e Ron Wood subiram ao palco (bêbados, provavelmente) com Bob Dylan. Não deu certo. Mick Jagger quis brilhar ao lado da Tina Tuner. Como tudo parecia ser parte do seu plano maquiavélico, ele, pelo menos, se saiu melhor.

Keith Richards possui um ego “razoável” e costuma chamar este período como "a Terceira Guerra Mundial".

Ele e Jagger definitivamente não se entendiam na época.

O motivo era simples: o ego de Mick Jagger era maior (nenhuma referência ao órgão sexual masculino, já que Richards sempre divulgou para todos que, nesta área, seria necessário usar “uma lente de aumento” para identificar o Mick Jagger).

Jagger estava empolgado com a carreira solo que, no período, ele acreditava que poderia libertá-lo dos Rolling Stones e, apesar do pessimismo do John Lennon, levá-lo à vida adulta. Jagger errou e até hoje, aos 71 anos, ainda precisa dos Stones para sobreviver.

E, em 1986, Keith Richards ainda não sabia que poderia viver musicalmente sem a sua banda de rock (só depois, com o sucesso de sua carreira solo, percebeu que tinha vida própria). Ele queria um novo disco dos Stones. Jagger (pelos motivos aqui citados) não queria saber.

Desde a década de 1960 (e antes da existência do Led Zeppelin), quando precisava, Richards chamava o Jimmy Page. Fez isso em 1986. Além de Page, chamou amigos como Tom Waits, Jimmy Cliff, entre outros, e gravou o álbum dos Rolling Stones sem os músicos dos Stones.

Na hora da foto da capa do CD, porém, todos estavam lá. Richards não se importou, desde que ele ficasse no centro e o resto “na periferia” da imagem (inclusive Jagger). Isso foi feito e a foto fala por si.

“Dirty Work” tornou-se um dos meus álbuns preferidos dos Stones. Pesado, irônico, nada homogêneo (como uma vida adulta deve parecer).

Posteriormente, nas “tours” dos outros álbuns da banda, Jagger sempre pareceu evitar as músicas deste CD.

Quem se importa? Afinal, como aparece numa camiseta do Keith Richards na década de 1970:

“Who the fuck is Mick Jagger?”

© profelipe ™

SOLOS NO ROCK 'N' ROLL

O pior solo de baixo que vi (comentei aqui) foi o do Gene Simmons do Kiss em São Paulo no show em Interlagos.
 

O pior solo de bateria que vi foi no show do Ozzy no Rock in Rio. Foi uma vergonha o plágio do baterista em relação aos solos do John Bonham. O pior foi ouvir os comentários na hora (de metaleiros) dizendo que o cara seria original e revolucionário (não lembro - e nem quero saber - o nome do baterista do Ozzy naquele show). Toda a situação foi bem ridícula.
 

 O pior solo de guitarra - esse eu não vi ao vivo mas tenho que citar - foi o do Robert Plant (cara, você não é guitarrista...) no Rock and Roll Hall of Fame 1995... Eu já tinha visto o Plant ao vivo em 1994 e veria mais duas vezes em 1996... Em todas as oportunidades, ainda bem, ele não ousou tocar guitarra.

Nos cinco shows (Voodoo Lounge, Bridge to Babylon e A Bigger Bang Tour) que vi dos Rolling Stones no Brasil, Sir Mick Jagger também não ousou tocar guitarra ao vivo... Ainda bem ²
 

Agora de vocalista que se acha o máximo no palco, mas é, de fato, um saco, a disputa fica feia entre Paul Stanley e Bon Jovi.