- É o caso de DAVID GILMOUR, ex guitarrista do Pink Floyd, que disse que a banda sustentou o Syd Barret por 30 anos. Gilmour "esquece" que ele NÃO estava na concepção do que seria o Pink Floyd e nem nos primeiros álbuns. Quando ele entrou no grupo, para substituir Syd, o Floyd já era sucesso. "Esquece" ainda que o dinheiro pago pela banda ao Syd tratava dos direitos do fundador da banda quanto aos primeiros discos. Roger Waters demonstra mais respeito ao tratar do tema.
- O vocalista do Led Zeppelin, que foi muito criticado na primeira tour pelos Estados Unidos, o que levou ao líder da banda, Jimmy Page, em pensar em substituí-lo, assumiu depois do fim do grupo que teria copiado a letra de "Whole Lotta Love" e foi descoberto só porque tornou-se famoso, caso contrário... Para ROBERT PLANT, o problema não seria copiar o outro e sim ser descoberto.
- Os músicos do YES demitiram o vocalista Jon Anderson e colocaram um vocalista de uma BANDA COVER - Benoit David - no seu lugar. David ficou doente e foi substituído por outro vocalista de banda COVER - Jon Davison do "Yes Roundabout".
- Os músicos do QUEENSRYCHE demitiram o vocalista Geoff Tate, co-fundador do grupo, após 30 anos tocando juntos. Motivo: interesse econômico, pois Geoff Tate ficava com 25% dos lucros da banda.
- Eu sou fã do Led Zeppelin, fui membro de um fã-clube dos E.U.A, "Feathers in the Wind", e coordenei o jornal "The Rover" (1984-1986) aqui no Brasil.
- Digo isso pois acho que chega a ser constrangedora a "veneração" de Dave Grohl quanto aos músicos da banda.
- É verdade que a primeira vez que vi o Jimmy Page tocar ao vivo em São Paulo (com Robert Plant) fiquei tão impressionado que não lembro coisa alguma do show!!! Depois vi o show do Rio, e foi tudo OK.
- Aliás, o meu primeiro disco do Led Zeppelin foi presente do meu pai em 1976 (ano do lançamento do LP). Com o salário do meu primeiro emprego, comprei o "In Through the Out Door" em 1979 (também ano do lançamento do disco).
- Bons tempos? Para o Led Zeppelin, provavelmente. Para mim, a barra era muito pesada na década de 1970.
Até assistir ao show do B-52's com Tyma Weymouth and Chris do Talking Heads / Tom Tom Club e ouvir o álbum (pesado e bom) do Power Station (metade dos músicos eram do Duran Duran), eu admito que só ouvia heavy metal e achava todo o resto um lixo... Ainda tinha paciência para ouvir gente discutindo qual seria a melhor banda, guitarrista ou baterista do rock pesado...
Duas coisas sempre me chamaram a atenção nesse gênero:
1. Vi muitos shows e fui em alguns festivais. O número de homens sempre fui superior ao de mulheres, muito superior. Na primeira noite do metal no Brasil, no Rock in Rio, em 1985, parecia mais um grande pátio de prisão: basicamente homens vestidos de preto, muitas drogas e, claro, som pesado.
2. A associação do hevay metal com o diabo...
Os Rolling Stones escreveram "Sympathy For The Devil" em 1969 (a referência era Lúcifer).
Os músicos do Black Sabbath, a partir dos filmes de terror, resolveram escrever assim. Nunca foram ocultistas.
Os músicos do Led Zeppelin, especialmente o Jimmy Page, não escondiam a simpatia pelo ocultismo. Apesar de influenciar algumas letras da banda, Robert Plant tratou de outros temas nas músicas do Zeppelin.
Na sua origem, na década de 1950, o rock era tido como a "música do diabo".
Talvez esses fatores tenham influenciado a associação do heavy metal com a figura do diabo. Como os representantes do cristianismo eram os principais críticos do rock na década de 1950, a oposição à essa religião levaria ao seu oposto - o diabo.
O conceito de diabo é uma construção recente. Antes, havia outras religiões que se baseavam no dualismo do bem e do mal. De acordo com o documentário "Zeitgeist", todas foram influenciadas pela concepção do Egito Antigo (por por de 3.000 anos a. C.), que tinha "Hórus, sendo o sol ou a luz" e, por outro lado, existia Set "e Set era a personificação das trevas da noite."
Nesta perspectiva, a referência mais correta ao "mundo da trevas" seria Set e não o diabo (Lúcifer ou Satanás).
O Robert Plant, quando fala mal do Led Zeppelin, é pura inveja do Jimmy Page que era o líder e o principal responsável pelo som da banda.
No seu primeiro disco solo, "Pictures of Eleven", as duas melhores faixas são as que o Cozy Powell (amigo de John Bonham) toca na bateria: "Slow Dancer" e "Like I've Never Been Gone". Cozy Powell consegue lembrar o estilo de Bonham e, ao mesmo tempo, impor a sua maneira de tocar. Perfeito!!!
A sua insistência em resgatar a sonoridade do Led Zeppelin irritou o Plant, que chamou o óbvio Phil Collins para tocar no resto do álbum. Na sua primeira "tour" solo, Plant se recusava a cantar músicas do Zeppelin. Freud explicaria.
Eu vi o Cozy Powell tocar ao vivo uma vez, com o Whitesnake, na noite "heavy metal" do primeiro Rock in Rio. Impressionado com o radicalismo e pela quantidade dos chamados "metaleiros", David Coverdale avisou no início do show: "faremos o máximo de barulho possível." Com certeza, Cozy Powell contribuiu para isso, com muita qualidade, naturalmente.
Na mesma noite, eu fiquei muito irritado com o baterista do Ozzy, que no seu solo, copiou descaradamente o John Bonham ao tocar com as mãos... A maioria, menos avisada, achou que aquilo era algo inédito!!! Depois tentaram amenizar falando que seria uma "homenagem"... uma coisa bem diferente para quem estava lá e viu tudo ao vivo.
Anos depois, eu assistiria três shows do Robert Plant no Brasil. Mas isso, claro, é outra história.
† O álbum "Floodland" é um clássico e foi feito basicamente ao som do baixo de Patricia Morrison. Andrew Eldritch havia trabalhado com ela no projeto do Sisterhood. Não houve tour para o "Floodland". Para o que seria o próximo álbum, "Vision Thing", não seriam só vídeos promocionais. Nos ensaios, havia um novo membro na banda: o guitarrista Andreas Bruhn.
† Os primeiros shows da nova fase, em1990, seriam no Brasil. Dos cinco shows, eu vi três, um em São Paulo e dois no Rio. Isso significa que quase vi a Patricia Morrison tocar ao vivo (o sonho de qualquer fã).
† No entanto, Eldritch tinha outros planos. Iria fazer um álbum com base no som de guitarras e não do baixo - o que desagradou muita gente. Andreas Bruhn era o "cara". Demitiu Patricia Morrison e chamou para o seu lugar - revolta geral !! - o inexpressivo, falso e odiado Tony James, ex-líder da banda "fake" Sigue Sigue Sputnik.
† Assim, a formação que tocou no álbum e que veio ao Brasil foram os três, mais o guitarrista Tim Brechno (ex-All About Eve) e, claro, Doktor Avalanche.
† Tony James foi demitido ainda durante a "Vision Thing Tour". Não entrou outro baixista. Esse seria mais um trabalho para Doktor Avalanche.
† O grupo teve várias formações depois disto. No show que vi no Circo Voador, em 2006, não havia baixista. Em algumas músicas, contudo, um dos guitarristas tocava o contra-baixo.
(*) Este texto foi escrito originalmente em 2003.
Não seria possível escrever a história do século XX sem tratar do rock and roll. Isso não significa dizer que ele representou um movimento revolucionário como aqueles que aconteceram na Rússia (1917) ou em Cuba (1959). As mudanças do rock foram diferentes. Elas representavam mais uma transformação no comportamento da sociedade.
Sabemos que a década de 1950 foi o período da guerra fria. De um lado, havia o comunismo, que era mostrado como uma ditadura e, de outro lado, o capitalismo, que era identificado como sinônimo de democracia. A realidade, contudo, não era tão simples. Por trás do "American way of life", havia o racismo, o preconceito contra os pobres e uma política externa que apoiava as ditaduras na América Latina.
Não existiria o rock sem o blues, sendo que esse último sempre esteve associado ao sofrimento dos escravos. Na verdade, o blues lembra os sons da África e as contradições do processo de colonização. Apesar das origens negras, o primeiro grande ídolo do rock não foi Chuck Berry ou Little Richards, mas sim Elvis Presley. Ser branco, contudo, não facilitou as coisas para Presley nos anos cinqüenta. Em suas entrevistas, ele tentava explicar que o rock não era um movimento perigoso para a sociedade. Tratava-se de um contexto - o da Guerra Fria - em que a juventude americana precisava ser protegida das idéias diferentes.
No caso do rock, essas idéias viriam dos negros. Rock e racismo: estes problemas mostravam outra realidade dos Estados Unidos, além daquela ideologia pregada na Guerra Fria. Havia ainda o movimento beatnic. As suas idéias, poesias e experiências foram fundamentais para mudar o comportamento das pessoas.
Provavelmente não existiria o movimento hippie sem as idéias da geração beat. Mas certamente na década de 1960 surgiria um novo movimento social, inclusive, com novos ídolos. Eles viriam da Inglaterra, com destaque para os Beatles e os Rolling Stones. De fato, com os Beatles, o rock acabou tornando-se uma música internacional para adolescentes. Tudo isso significava, claro, uma mudança de comportamento, sobretudo com as bandeiras do sexo, drogas e rock n´roll. Os Beatles, por exemplo, não compunham somente músicas com temáticas amorosas. Eles também escreviam canções como "Lucy in the Sky with Diamonds" (com letras que estavam associadas ao uso de LSD). Havia ainda as letras como "My Generation" do The Who e "Simphaty for Devil" dos Rolling Stones.
De fato, na década de 1960, se de um lado, deve ser considerado que o rock não era uma música para "anjos", de outro, pode ser afirmado que ele tentava apresentar algumas respostas para a sociedade. Os jovens viviam em comunidades hippies, com novos valores e poucas regras. A sexualidade significava liberdade. O feminismo lutava pelos direitos das mulheres. Havia também os protestos contra o racismo. O mundo estava mudando: 1968 na França, protestos na Tchescolováquia contra a ditadura comunista, o festival de Woodstock nos Estados Unidos e existiam os movimentos de esquerda na América Latina (tentando repetir a experiência cubana de 1959).
Não há corno negar que o rock mudou o comportamento das pessoas. Contudo, isso não representou mudanças políticas significativas. Isso é verdade sobretudo se considerarmos o contexto da década de 1970, quando as pessoas deixaram de acreditar na revolução. No rock, tratava-se do período do heavy metal e do som progressivo. A música tornara-se mais importante do que as letras. Isso era claro na sonoridade sinfônica do som progressivo e no "barulho" dos grupos de heavy metal. Um exemplo seria o Led Zeppelin, com a música "The Song Remains The Same", que, apesar da criatividade sonora, apresentava letras simplistas e sem sentido:
"I had a dream. Crazy dream.
Anything I wanted to know, any place
I needed to go
Hear my song. People won´t you listen now? Sing along.
You don't know what you´re missing now."
O que significaria essa letra? Provavelmente nada. O importante era o som. A voz de Robert Plant aparecia corno um instrumento na música e a importância das letras era colocada para um segundo plano. Algumas pessoas poderiam argumentar que, no caso do Led Zeppelin, havia letras interessantes em canções como "Stairway To Heaven" e "Rain Song". Mas, nesses casos, como nas letras do rock progressivo, as músicas tratavam de amor ou de coisas "sobrenaturais" e não do cotidiano das pessoas.
Com o movimento punk, na década de 1970, esse quadro mudou. Eles não eram verdadeiramente músicos. Na verdade, o que importava era o barulho. As letras eram fundamentais, quando eles protestavam contra os "velhos" ídolos do rock (como Led Zeppelin ou Rolling Stones) e mesmo contra as regras da sociedade. O punk era muito mais do que um simples movimento musical - era um estilo de vida. A letra de "Anarchy in the U.K." pode representar bem esse contexto:
"I'm an antichrist
I'm an anarchist
I don't know what I want
But I know how I get it
I wanna destroy"
A combinação entre o anarquismo e o rock não transformam automaticamente o punk num movimento social significativo. Mas, não há como negar que, com o punk, o rock voltava a representar aquilo que era na sua origem: uma música de protesto - quando não só os músicos importavam, mas a reação do público fazia parte do espetáculo. Isso foi verdadeiro nos anos cinqüenta e setenta do século XX. O punk não foi o último movimento do rock. Depois dele, vieram estilos bastante diferentes, como a música disco, a new wave, o hip hop, entre outros. O rock tornou-se importante para a indústria da música. Os músicos ficaram milionários.
A música que tentava mudar a vida das pessoas transformou-se numa máquina de fazer dinheiro no capitalismo. Esse era o problema: usar o rock como protesto era uma forma de gerar mais lucro para as gravadoras e para os artistas. Passou-se a vender de tudo: discos, camisetas, ingressos, refrigerantes... O rock tornou-se um produto como outro qualquer. Os jovens de Woodstock transformaram-se nos pais conservadores da década de 1980. Apesar de ser outro período, o rock deixou de representar uma surpresa ou um símbolo de protesto. Os anos oitenta eram os anos dos yuppies. O dinheiro era a única coisa que importava. A música disco e a new wave eram a trilha sonora desta época.
Em suma, podemos dizer que as letras do rock não tentaram demonstrar um ponto de vista político de esquerda. Havia as canções de Bob Dylan ou as letras do punk, mas elas não representavam a maioria. Isso não significa, porém, que o rock não foi importante na mudança do comportamento da juventude na segunda metade do século XX.
Um grupo de rock, The Sisters of Mercy, de 1980, ainda na ativa, lançou oficialmente apenas três álbuns, duas coletâneas, um EP e vários compactos.
Nos últimos anos, com a decadência do CD e com problemas com as gravadoras, o grupo deixou de lançar discos. Os músicos preferem fazer shows, quando apresentam sempre músicas inéditas.
As novidades são disponibilizadas no website oficial, inclusive com vídeos inéditos. Tornaram-se, na prática, uma típica banda do século XXI.
O último álbum oficial, "Vision Thing", teve uma tour que começou no Brasil em 1990. Foram ótimos shows (vi um em São Paulo e dois no Rio). Sobre o disco, Charles M. Young fez uma crítica objetiva e interessante na Playboy norte-americana (October 1991):
"The Sisters of Mercy (...) call the President of United States a motherfucker in the title song of 'Vision Thing' (Elektra). Now, that's getting to the point! Lyrically and musically, the energy emanates from the dark side but in ultimately liberating, because The Sisters (who are mostly Andrew Eldritch) can name and locate the darknew accuratly and poetically. Yeah, I suppose they're Gothic, but there's a lot more to theses guys than dressing in black."
Críticas do grupo apareciam mais no extinto Melody Maker ou, algumas vezes, no New Musical Express. O texto da Playboy era para um outro público, não acostumado com a chamada música alternativa, o que torna os elogios mais importantes, isso sem falar na objetividade para descrever o grupo e o álbum. Desde então, passei a prestar mais atenção nos textos de Charles M. Young. Quanto à banda, eu já era fã e continuo admirando o trabalho de Andrew Eldritch até hoje.