quinta-feira, 31 de outubro de 2013

LED ZEPPELIN, GROUPIES & SM



Os músicos do Led Zeppelin eram os que mais se relacionavam com as "groupies", em orgias e namoros (apesar de serem casados na Inglaterra). Jimmy Page, por exemplo, se envolveu com Lori Maddox quando ela tinha apenas 14 anos.

Sobre esse período e o guitarrista do Led Zeppelin, Pamela Des Barres afirmou:

"Jimmy carregava chicotes e gostava de infligir algum dano nas meninas. Ele também desenvolveu um hábito de visitar clubes de travestis, vestido em uniforme nazista e aplicava heroína cercado por drag queens. Se brincadeira saísse de controle, Page seria levado de volta para o hotel pelo tour manager e acorrentado num 'toilet' até que ele se acalmar."

No livro "Hammer of Gods" aparece a opinião de Jimmy Page sobre as "groupies":

“As garotas aparecem e posam de starlets, provocando e agindo de maneira arrogante. Se você as humilha um pouco, costumam voltar numa boa. Todo mundo sabe para o que elas vieram.”

Dizer "se você as humilha um pouco", de certa forma, confirma a depoimento de Pamela de Barres. Mais do que isso, como afirmei em outro texto, Jimmy Page gostava de usar um "Nazi SS Storm Trooper Hat" em shows do Led Zeppelin - acessório usado ainda em práticas de sadomasoquismo (SM).

Sobre estas problemáticas, numa entrevista com Tony Barrell em 2010, o guitarrista afirmou: 

"Eu tenho certeza que alguns de seus leitores podem ter flertado com o SM. (...) Eu tenho um apetite voraz por todas as coisas desse mundo ou não ('unworldly')." 

Em uma resposta bastante vaga, de fato, Jimmy Page não negou o seu interesse pelo SM. Como ele mesmo disse, todos "sabiam para o que elas vieram", ou seja, os músicos se sentiam livres para fazer qualquer coisa com as "groupies".

Tudo ocorreu na década de 1970. Hoje, certamente, com tantas restrições à liberdade do indivíduo, seria difícil ver músicos e "groupies" agirem daquela maneira. Claro que muitos tentaram copiar o Led Zeppelin nas décadas seguintes, tanto em relação à música como no que dizia respeito ao comportamento. Entretanto, a maioria falhou.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

1985

..conversando com os caras sobre o Rock in Rio, eu disse que havia ido no primeiro, em 1985... ouvi logo "pô, você foi no melhor e eu nem tinha nascido..." hehehe... ver numa só noite de heavy metal Ozzy, AC/DC, Whitesnake e Skorpions nunca seria uma experiência negativa...

...mas o clima de pátio de prisão, o barro [era um pântano originalmente] chegando aos joelhos, a chuva, a mistura de cheiro de maconha com o cheiro do que seria - imagino - o tal do pântano ou que que havia ali antes da grama [essa havia desaparecido fazia tempo]...


...a maioria absoluta era de homens, vestidos de preto, coisa de pátio de prisão mesmo...numa das correrias doidas que rolaram lá [em volta havia um passeio com asfalto antes de chegar na praça da alimentação onde o povo sentava no chão para descansar]...


...gente correndo sobre gente, gritos, o meu humor foi a zero quando vi o meu joelho sangrando...


...o motivo da correria, claro, ninguém soube...


...isso tudo me lembrou uma namorada que tive e que contou que uma amiga dela havia participado do Woodstock na década de 1960...


...quando a mulher voltou ao Brasil só reclamou do evento: barro, bagunça, não dava para ver nada...


...daí, o festival tornou-se um "mito" e ela passou a se orgulhar de ter participado da festa...


...é interessante como o ser humano é capaz de rever o passado a partir do presente...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ROBERT PLANT & LED ZEPPELIN


Robert Plant, no início de sua carreira solo, queria produzir algo independente do seu passado com o Led Zeppelin. Nos shows, não tocava músicas de sua ex-banda. Os três primeiros álbuns refletem essa fase: Pictures At Eleven (1982), The Principle Of Moments (1983) e Shaken 'n' Stirred (1985).
Plant participaria do Live Aid com Jimmy Page e John Paul Jones. Tocaram três músicas do Led Zeppelin, sem, contudo, utilizar o nome do grupo.
Somente em 1988, sobretudo com a influência de Phil Johnstone, Plant começaria, de fato, a assumir a influência do Zeppelin em sua carreira solo, contando, inclusive, com a participação de Jimmy Page em duas faixas de "Now And Zen".
Depois viria o álbum "Manic Nirvana" (1990) com fotos na capa que poderiam ter sido retiradas de shows da década de 1970.
A "tour" de "Fate Of Nations" (1993) passou pelo Brasil em janeiro de 1994. Vi o show do estádio do Morumbi. Muito bom. Havia uma mistura das canções da carreira solo e de músicas do Zeppelin.
Posteriormente, Plant foi convidado pela MTV para fazer um "unplugged". Sem o fantasma do ex-grupo (e talvez por insegurança mesmo), ele convidou o guitarrista Jimmy Page para participar do projeto. O resultado da parceira foram os álbuns "No Quarter" (1994) e "Walking Into Clarksdale" (1998).
"Mighty ReArranger" viria em 2005. No entanto, só em 2007 - e, mais uma vez, Plant não estaria sozinho - viria o premiado e excelente "Raising Sand", com Alison Krauss. No final de 2007, em 10 de dezembro, o vocalista faria outra reunião com os ex-companheiros para um show de duas horas em homenagem ao Ahmet Ertegun na O2 Arena em Londres. Na bateria, estava Jason Bonham. A novidade seria o uso pela primeira e única vez do nome Led Zeppelin. Foi um grande sucesso, o que levou aos questionamentos de uma possível "tour" (que foi recusada por Plant, que preferiu fazer os shows com Alison Krauss). O produto (CDs/DVDs) de 2007 somente seria lançado em 2012.
Em 2010, veio "Band Of Joy" e recentemente a "tour" com a "Sensational Space Shifters" (que passou pelo Brasil, assim como a "No Quater Tour").
Próximo passo? Robert Plant afirmou que está chegando numa idade que precisará de ajuda para atravessar a rua. Aposentadoria? Provavelmente não. Foi só mais uma desculpa para não fazer mais shows com os ex-companheiros do Led Zeppelin.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O TEMPO DO ZEPPELIN


O tempo do Led Zeppelin pode ser exato (1968-1980) ou não. 

Foram seis semanas de ensaios para o extraordinário show no O2 Arena em 2007. 

Foram, depois, mais cinco anos para produzir e lançar o show em filme e CDs. John Paul Jones fez uma referência ao conceito de tempo do Zeppelin, algo como 5 anos significariam 5 minutos.

Apesar de todo o tempo gasto e do sucesso do show de 2007, foi um único show e pronto. 

Houve propostas milionárias para uma "tour", mas o vocalista Robert Plant recusou a ideia. 

Os outros três membros até pensaram nesta possibilidade, mas logo John Paul Jones formaria o Them Crooked Vultures com Josh Homme e Dave Grohl e o projeto não iria para frente.

De fato, Jason, o filho de John Bonham, já havia tocado com o Led Zeppelin algumas vezes, inclusive no dia do seu casamento. Não havia novidade. 

Foi o baterista do álbum e da "tour" do "Outrider" do Jimmy Page. Jason Bonham conhece praticamente todos os piratas do Zeppelin e sabe exatamente como o seu falecido pai criava e tocava as músicas. Neste sentido, a sua performance no O2 Arena foi perfeita.

Como estilo próprio, no entanto, Jason nunca foi nem criativo e nem tão competente como o pai - basta ver, por exemplo, o seu solo de bateria em algum show da "tour" de "Outrider".

Ainda no que diz respeito ao sucesso de O2 Arena, merece destaque um depoimento de John Paul Jones: "O show parecia ser o primeiro de uma 'tour'." ("The show was felt like the first show of a tour.")

Não foi o que aconteceu. O Led Zeppelin foi uma banda da década de 1970 formada por quatro músicos que contavam com o apoio fundamental do empresário Peter Grant. Não foi por acaso, afinal, que no filme oficial do grupo em 1976 - "The Song Remains The Same" - apareciam cinco sequências de "fantasias": Grant, Robert Plant, Jimmy Page e John Bonham.

Com as mortes do baterista e do empresário, talvez realmente não teria sentido fazer uma "tour" ou mesmo gravar material inédito.

Assim, mesmo que por motivos pessoais, a decisão de Robert Plant preservou a memória da banda e reforçou o mito de um dos maiores grupos de rock da história.

sábado, 20 de outubro de 2012

TEXTO G1.GLOBO => 19/10/2012 Robert Plant no Rio

19/10/2012 04h22 Led Zeppelin ganha sotaque oriental em show de Robert Plant, no Rio
Ex-vocalista da banda britânica se apresentou na cidade nesta quinta (18).
Cantor fez novas versões para clássicos como 'Black dog' e 'Rock and roll'.
Henrique Porto Do G1 Rio


"Black mountain side", "The battle of evermore", "Four sticks", "Kashmir"… São vários os exemplos na obra do Led Zeppelin que mostram a influência da música oriental na sonoridade da banda. Mas Robert Plant, ex-vocalista do grupo britânico, levou essa proximidade até as últimas consequências durante o show realizado na noite desta quinta-feira (18), na HSBC Arena, no Rio.


Acompanhado pela recém-formada banda The Sensational Space Shifters, Plant simplesmente subverteu o repertório de seu antigo conjunto, eliminando o peso das guitarras outrora regidas pelo ex-parceiro Jimmy Page em detrimento de instrumentos como o ritti e o kologo, espécie de violino e banjo africanos, e o bendir, um tipo de tamborim.


Apesar de obter um resultado no mínimo intrigante, não seria exagero dizer que Plant decepcionou parte do público, que esperava por versões mais fiéis de canções do "Zeppelin de chumbo". Foi nítida a dispersão da plateia no setor mais caro, apelidado de "BudZone", em determinados momentos do show. Um quase "dar de ombros" para as mistura de blues e músicas celta, indiana e africana proposta por uma das vozes mais importantes da história do rock. Uma pena.


O cantor tinge com novas cores, de maneira muito autêntica, um repertório muitíssimo conhecido, reposicionando sua voz (hoje bem menos potente) em função dos novos arranjos. Bom exemplo são "Black dog" e "Rock and roll", clássicos absolutos do Zeppelin reconstruídos a partir das frases de ritti, executadas pelo sorridente Juldeh Camara — absolutamente nenhum dos antológicos riffs criados por Page são sequer citados. Um pouco mais próximas das versões originais, mas ainda assim com um acento oriental, aparecem "Gallows pole", "Ramble on", "Friends" e "Bron-y-aur stomp", canções mais acústicas e, talvez, mais apropriadas à nova fase do cantor.



A nostalgia não fica restrita apenas ao Zeppelin. Plant presta homenagens a dois velhos bluesmen cantando "44 blues" e "Spoonful", inspiradas nas versões de Howlin' Wolf; e "I'm your witchdoctor", quando relembra o inglês John Mayall e o chama de "herói". Ainda haveria espaço para "Who do you love", de Bo Diddley, num medley que se mistura com um pequeno trecho de "Whole lotta love" (outro clássico do Zeppelin) e "Steal away" e "Bury my body", de Al Kooper. Da carreira solo, pinça  "Tin Pan Valley", de seu álbum “Mighty rearranger", de 2005.


Mesmo nos blues, os improvisos acontecem menos nas guitarras e mais no banjo e no bandolim pilotados por Justin Adams e Liam "Skin" Tyson, além dos bebops de Camara. Plant é generoso com sua atual banda, formada ainda pelo baixista Billy Fuller, o baterista Dave Smith e o tecladista John Baggott.


Fato é que Robert Plantx, mesmo com tantos anos de estrada, conseguiu reinventar-se nesta nova turnê. E sem precisar abrir mão do valioso repertório do Led Zeppelin. Talvez por isso venha se recusando ao que seria uma financeiramente tentadora turnê de reunião do ex-grupo, ao lado de Jimmy Page, John Paul Jones e Jason Bonham (filho de John Bonham, morto em 1980), proposta pelo guitarrista em 2007. Plant já não precisa mais do dirigível.


O músico segue agora para Belo Horizonte, onde se apresenta no dia 20. Sua turnê brasileira faz escalas também em São Paulo (22 e 23), Brasília (25), Curitiba (27) e Porto Alegre (29).

sexta-feira, 13 de julho de 2012

DAZED AND CONFUSED

Algumas pessoas acreditam que "descobriram a América" ao fazer comparações das músicas do Led Zeppelin com antigas canções de blues.


O caso mais famoso foi o de "Whole Lotta Love". Posteriormente, Robert Plant reconheceu o plágio nas letras e o nome de Willie Dixion passou a constar nos créditos da música.


Escrevi um texto, uma vez, no qual tratava das limitações do letrista Plant diante da genialidade  musical de Jimmy Page.


Mas... e "Dazed and Confused"? Escrevi que esse poderia ser plágio de Page na medida em que o guitarrista do Led Zeppelin sempre admitiu que não escrevia letras para as músicas.


Apesar disto, nunca houve processo contra Jimmy Page. Somente em 2010, décadas depois, Jake Holmes tentou processar Page. Contudo, havia certas contradições no processo.


Primeiro, comparando o que seriam as duas versões, no website TMZ*, é dito: "os versos são diferentes". Ou seja, exatamente na parte que Jimmy Page poderia plagiar, ele foi original.


Segundo, Page sempre teve uma dedicação especial para essa canção. Se, em 1969, ela tinha pouco mais de 6 minutos, na sua versão ao vivo de 1973 - que aparece no filme "The Song Remains The Same" - ela chega a quase meia hora, ocupando um lado inteiro de um dos dois LPs lançados em 1976.


Terceiro, se era cópia, por que esperar mais de 40 anos para processar o guitarrista do Zeppelin? A pergunta e "a resposta" aparecem no mesmo website:


"o advogado de Jake Holmes não quis comentar." ("His attorney had no comment.")*


Sim, é inacreditável. Portanto, para buscar "a verdadeira" autoria de "Dazed and Confused", o susposto músico terá que apresentar um argumentação melhor. Enquanto isso, vale o que sempre existiu: a música e a letra são de um único autor: James Patrick Page.

* http://www.tmz.com/2010/06/29/led-zeppelin-dazed-and-confused-jimmy-page-lawsuit-jake-holmes/

ARCADIA & THE POWER STATION

  • Quando o assunto é "pop music", a maioria liga "a luz do preconceito". É razoável, admito.
  • Entretanto, na década de 1980, no auge de sua popularidade, os músicos do Duran Duran criaram dois projetos diferentes. Andy e John Taylor, com os músicos do Chic e com Robert Palmer, fizeram muito sucesso com "The Power Station". Fizeram e lançaram vídeos, mas o destaque foi a tour, com um show no Live Aid em 1985 (Michael Des Barres assumiria os vocais). O segundo álbum do grupo, "Living in Fear", sem o baixo de John Taylor mas com a volta de Robert Palmer não fez sucesso. Trata-se de um bom CD, mas que não agrada de imediato.
  • O outro projeto do Duran ficou por conta do Nick Rhodes, Simon Le Bon e Roger Taylor. O álbum "So Red The Rose" conta com várias participações especiais, como Sting, Grace Jones e David Gilmour. Não é um som pesado como o do Power Station, se for para rotular, estaria mais na linha do chamado "progressivo". É ótimo. A sonoridade é fantástica e fica clara a liderança de Nick Rhodes. Não houve tour. Os vídeos, porém, foram extremamente sofisticados e fizeram sucesso na MTV e foram lançado no formato VHS.
  • Após os projetos, os músicos do Duran se reuniram para o que seria o próximo álbum da banda, "Notorious". O quinteto tornou-se trio com as ausências de Roger e Andy Taylor. Essa tour passou pelo Brasil em janeiro de 1988. Eu vi o show do Rio. Maravilhoso. Além dos sucessos do Duran, tive o prazer de ver os músicos tocaram uma música tanto do Arcadia como do Power Station. Como Duran Duran, foram lançados outros álbuns, mas o auge seria mesmo o ano de 1985.