sexta-feira, 9 de maio de 2014

PAUL RODGERS & JIMMY PAGE



Paul Rodgers foi vocalista do Free (década de 1960) e do Bad Company (anos 1970). Essa última banda foi uma das contratações da Swan Song, criada pelo Led Zeppelin e por seu empresário Peter Grant.

Houve uma época que o Zeppelin estava sem fazer shows e o Jimmy Page e o Robert Plant participaram de alguns shows do Bad Company. Na década de 1980, eu tive uma cópia de um pirata do grupo de Paul Rodgers nos anos 1970. No final, Jimmy Page participava tocando na música “Rock Me Baby”. Inacreditável!!! Era óbvia e maravilhosa a sonoridade da guitarra de Page (o que, claro, compensava todo o pirata do Bad Company). Na época, troquei esse e mais duas cópias de outros piratas com uma garota dos Estados Unidos. Em troca, ela enviou todas as letras do Led Zeppelin escritas a mão.

Jimmy Page, em 1980, com a perda de John Bonham e o fim do Led Zeppelin, entrou de vez no mundo das drogas. Ficou um bom tempo sem tocar guitarra.
Ao vivo, Page voltaria a tocar nos shows da ARMS, com Jeff Beck e Eric Clapton. O guitarrista do Led Zeppelin encerrava o show com uma versão acústica (e fantástica) de Stairway To Heaven (só guitarra, sem vocais). Foi neste período que tocou novamente com Paul Rodgers e resolveram criar uma banda, The Firm, que gravou dois álbuns na década de 1980.

Parece que quando Paul Rodgers fez um show solo no Brasil, ele não tocou músicas do The Firm. Pouca Importa. Nos shows da carreira solo de Jimmy Page, ele tocava músicas de todas as suas fases como Yardbirds, Led Zeppelin e, claro, The Firm.

Paul Rodgers voltou a ser notícia quando ocupou o lugar (se é que isso seria possível) do Freddy Mercury no Queen. Gravaram CD inédito e fizeram shows sob o nome de “Queen + Paul Rodgers” (na verdade, o baixista John Deacon não entrou nesta furada).

Jimmy Page, uma vez, chegou a afirmar que, em termos técnicos, o Paul Rodgers era melhor do que o Robert Plant. Talvez. Mas falta ao vocalista do Bad Company aquilo que sobraria no vocalista do Led Zeppelin: carisma (e isso conta muito no universo do rock n’ roll).

quarta-feira, 7 de maio de 2014

ALICE COOPER E A ADOLESCÊNCIA NA DÉCADA DE 1970



Os anos 1970 poderiam ser definidos, em termos de rock n roll, em duas palavras: Led Zeppelin. Essa banda era sinônimo de excessos: qualidade musical, groupies, misticismo, violência...
A década de 1970 não era exatamente uma época de grande liberdade, principalmente aqui no Brasil, quando havia uma ditadura militar.
Ser adolescente, naquele período, era assumir riscos por coisas que hoje são consideradas aceitáveis e normais.
Os dois caminhos para os considerados rebeldes eram, num primeiro momento, passar uma temporada numa clínica psiquiátrica e, depois, caso não aceitasse a “normalidade”, o segundo caminho era basicamente ir para a prisão.
Representantes de igrejas evangélicas tentavam aceitar e recuperar os rebeldes. Elas apareciam como lugares “seguros” para debater as crises da adolescência. Havia dilemas, claro, porque elas significavam o oposto do mundo do rock n roll. Alice Cooper e Black Sabbath eram vistos como mensageiros do “lado negro” e, portanto, não era aceitável ouvir as suas músicas ou ouvir os seus discos. Na verdade, com essas bandas, era mais teatro. O que as pessoas nem sempre percebiam, obviamente, era que os verdadeiros envolvidos com misticismo e até magia negra era os músicos liderados por Jimmy Page no Led Zeppelin.
Não seria possível viver a adolescência numa década tão complexa e cheia de riscos, sem adquirir alguns traumas que reaparecem em pesadelos da vida adulta.
Tudo isso foi dito para reconhecer que ter tido tantas experiências naquela época influenciou numa decisão tola. Em um festival de rock, tive a oportunidade de ver o show do Alice Cooper. Era um dos “headliners”. Vi todas as bandas, mas antes do show do Alice Cooper, resolvi ir para o hotel descansar.
Teria que me contentar, posteriormente, com os DVDs da banda, quando sempre questiono se a decisão de não ver o show teria sido a mais acertada. Mas... Enfim... Talvez Freud explicaria... Passou e pronto.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

JIMMY PAGE – OUTRIDER 1988

Vi o Jimmy Page (com Robert Plant) duas vezes ao vivo, em São e no Rio de Janeiro em 1996. O meu sonho, porém, era ver um show da carreira solo do Page, como a “tour” que ele fez para o “Outrider” em 1988, quando ele tocou músicas de diferentes fases de sua carreira, como Yardbirds, Led Zeppelin, The Firm, além de músicas da trilha sonora de “Death Wish II” e, claro, músicas do “Outrider”.

Depois disto, Jimmy Page tocou e gravou com outros músicos. Gosto bastante do projeto “Coverdale-Page”, do ao vivo Jimmy Page & Black Crowes, do filme “Might Get Loud” (com Jack White e The Edge), dos álbuns Jimmy Page & Robert Plant e, claro, do CD-DVD “Celebration Day”.

Contudo, para quem é realmente fá do músico, como é o meu caso, nada seria tão satisfatório como ver um show solo dele, com Page tocando canções de todas as suas fases, mostrando a sua contribuição para o universo do rock n’ roll.

O CASO DE “WHOLE LOTTA LOVE”

Primeiro, Robert Plant admite que a polêmica foi por sua causa, nas letras, e que a música de Jimmy Page nada teria a ver com o plágio (hoje o nome do Willie Dixion já aparece nos créditos:

“O som do Page sempre foi o som do Page. Ele estava lá antes de qualquer coisa. Diante da música do Page, eu pensei: ‘bem, o que eu vou cantar?’ Foi só isso.” No original: “Page’s riff was Page’s riff. It was here before anything else. I just thought, ‘Well, what am I going to sing? That was it, a nick.” (Musician, June 1990, p. 47)

Segundo, Robert Plant reconhece a importância da música e por isso tenta justificar o plágio nas letras:

“‘Whole Lotta Love’ representou um avanço no rock ‘n’ roll. Se a outra não tivesse sido roubada, a música não pareceria tão boa. O erro foi não dar os créditos ao Dixion na época.” No original: “‘Whole Lotta Love’ did push rock ‘n’ roll another couple of steps. If the lyric hadn’t been stolen, the music would have been lesser for it. The mistake came in not crediting Dixion.” (Musician, June 1990, p. 47)

Terceiro, Robert Plant admitiu ainda que copiou o estilo de Steve Marriot em “Whole Lotta Love”:

“Foi engraçado ouvir o Robert admitindo que ele imitou o estilo de Steve Marriott em ‘Whole Lotta Love’. Não é engraçado que Jimmy queria tanto que o Steve Marriott fosse o vocalista e ao invés disso conseguiu um imitador do Steve Marriott?” No original, encontra-se a citação completa: “Also, it was fun hearing Robert admit he was imitating the stylings of Steve Marriott on ‘Whole Lotta Love.’ Isn't it funny how Jimmy wanted Steve Marriott as the singer and instead got a Steve Marriott imitator? Not that Robert was a Steve Marriott imitator all the time. He says he was this for one three-minute song, then onto something else entirely different for another.” (April 25, 2014. By: http://www.ledzeppelinnews.com/)

Pode parecer que fico no pé do vocalista do Led Zeppelin. Mas eu acho a banda perfeita!! Eu só não gosto quando o próprio Plant fala mal do Zeppelin por saber que a grande estrela e responsável pelo som da banda era o Jimmy Page.

Aliás, acho razoável o Robert Plant recusar fazer shows com Page, Jones e o Jason Bonham utilizando o nome do Led Zeppelin. Isso não é só porque a sonoridade e a criatividade de John Bonham eram únicas. Muitos esquecem a importância do empresário Peter Grant na história do Led Zeppelin. O mito em torno do grupo não aconteceria sem a maneira “particular” de Grant lidar com os negócios da banda.




(*) Sobre a reunião do grupo, o assunto seria discutido novamente em 2013, mas de uma forma diferente. Robert Plant admitiu, no programa “60 Minutes”,** que voltaria a reunir com Jimmy Page e John Paul Jones.

Na época, quem descartou a possibilidade foi Jones, afirmando que tinha que compor uma ópera. A seguir, as palavras de Robert Plant na entrevista:

“Os outros dois são de capricórnio... Eles estão confortáveis em seus próprios mundos e deixaram para mim o papel de... [‘bad guy’?] Eu não sou o garoto mal da história... [mas você é para os fãs do Led Zeppelin quando o assunto é reunir o grupo...] Nós necessitaríamos falar com os dois capricornianos porque eu não tenho nada para fazer em 2014... [voltaria a fazer shows com o Led Zeppelin?] Yeah, se você encontrá-los (Jimmy Page e John Paul Jones)... Sim.”**

(**) Robert Plant to Jimmy Page – I am available in2014.http://www.youtube.com/watch?v=erQZRlFeGOM

sábado, 5 de abril de 2014

JASON BONHAM E O LED ZEPPELIN



Imagine ter aprendido a tocar bateria com o seu pai, John Bonham, e ter convivido na infância e na adolescência com “tios” como Jimmy Page, John Paul Jones, Robert Plant e Peter Grant. Jason Bonham foi esse garoto.
Deve ser considerado que na sua perspectiva, Bonzo era o “dad” que vivia com a família numa fazenda na Inglaterra e, durante alguns meses, viajava para trabalhar com a sua banda. Isso quer dizer que Jason (e nem o resto da família) fazia ideia do que efetivamente acontecia nos bastidores dos shows do Led Zeppelin, quando Bonzo transformava-se em “The Beast” (por causa dos excessos com bebidas, drogas, mulheres e brigas).
Jason conhece os piratas do grupo e o que eles tocaram em quase todos os shows. Ele é meio uma enciclopédia do Led Zeppelin. Nem podia ser diferente. Aqui está o seu dilema. Ele nunca se libertará da “figura paterna”. Talvez nem queira.
Após algumas experiências depois do fim do Led Zeppelin (inclusive ter criado um grupo com Paul Rodgers, The Firm), Jimmy Page gravou o seu disco solo “Outrider” e saiu em uma “tour” pelos Estados Unidos. Robert Plant cantou em uma faixa do álbum. Page havia participado também dos discos solos do Plant, que naquela época (1988) começava a se livrar do trauma do passado e começava a cantar músicas do Zeppelin em seus shows. O baterista do projeto do Jimmy Page era o Jason Bonham.
Se for comparar, é completamente diferente a atuação de Jason nos shows de “Outrider” e sua performance no evento do O2 Arena em 2007. Fica claro que ele era o músico ideal para tocar em qualquer show que se usasse o nome “Led Zeppelin”. Ele sabe tudo sobre a banda e é um ótimo baterista. Entretanto, quando ele faz um solo de bateria dele mesmo no show de “Outrider”, em termos de criatividade, o que se vê ali seria muita limitação e nem de longe poderia ser comparado com as inovações do pai (principalmente ao vivo) em “Moby Dick”.
Jason nunca será John Bonham. Robert Plant, de certa forma, explicou isso a ele quando definiu o que era o Led Zeppelin. Não precisava. Provavelmente Jason (contrariando a teoria freudiana) nunca tenha acreditado, de fato, que poderia substituir o pai.

segunda-feira, 17 de março de 2014

MENSAGENS OBSCURAS & BEATLES



John Lennon criou os Beatles a partir de sua “banda de escola” (“Quarrymen”). Paul McCartney entrou no grupo em 1957. Um ano depois, entraria George Harrison. Os três guitarristas tornaram-se a base do que viria a ser “The Beatles”.
Ainda no final dos anos 1950, quando Lennon entrou na faculdade de Belas Artes, chamaram Stuart Sutcliffe para tocar baixo no grupo. Mudaram o nome para “Silver Beetles” e, depois, para Beatles. Antes de ir para a famosa temporada em Hamburgo, Pete Best tornou-se o baterista da banda. (Veja, fevereiro de 1964)
Sobre este período, John Lennon afirmou:
“Nossos melhores trabalhos nunca foram gravados. (...) éramos performáticos (...) em Liverpool, Hamburgo e outros salões de dança. O que nós criamos quando tocávamos rock tradicional era fantástico, e ninguém nos igualava na Grã-Bretanha.” (Rolling Stone, 1971, Apud, A Arte da Entrevista, p. 348)
Os Beatles só começariam a gravar discos em 1962, como quarteto e com Ringo Starr no lugar de Pete Best (Stuart Sutcliffe faleceu em 1961, quando já havia deixado o grupo).
Foi ainda em 1961 que os músicos tiveram contato com o empresário Brian Epstein, que mudou a imagem do grupo. Sobre os músicos, Epstein disse, em entrevista, em 1964:
“Acho que os tornei profissionais. Os Beatles são muito inteligentes, sagazes, mas não eram requintados. Trouxe isso para eles: elegância, habilidade organizacional e dinheiro. Primeiro, estimulei-os a tirar as jaquetas de couro e, então, proibi que aparecessem de jeans. Depois disso, fiz que usassem suéteres no palco e, por fim, com muita relutância, ternos.”  (Veja, fevereiro de 1964)
John Lennon aceitou, mas, posteriormente, reclamou das mudanças impostas por Brian Epstein:
“Você sabe, Brian vestiu-nos com ternos e todo o resto, e nós fizemos o máximo. Mas nós acabamos, você sabe. A música morreu antes mesmo de realizarmos a turnê de teatros na Grã—Bretanha. Sentíamo-nos um lixo, porque tínhamos que reduzir um show em uma ou duas horas e ele passava, de certo modo, a ter só vinte minutos, que eram repetidos todas as noites. Então a música dos Beatles morreu, os Beatles morreram como músicos. É por isso que nunca progredimos como músicos: matamos a nós mesmos para nos concretizarmos. E esse foi o fim.” (Rolling Stone, 1971, Apud, A Arte da Entrevista, p. 348)
Em outras palavras, a parte empresarial venceu o lado musical. Esse foi o preço da fama e da “beatlemania”. Esta opção, porém, tornou-se um problema com o suicídio de Epstein em 1967. Ele morreu com uma “overdose de comprimidos para dormir.” (BBC)*
Sobre a morte do empresário, John Lennon disse:
“Eu sabia, então, que tínhamos problemas. Na verdade eu não tinha quaisquer ilusões sobre nossa capacidade de fazer qualquer outra coisa além de tocar música, e eu estava apavorado.” (Rolling Stones, 1971, Apud, A Arte da Entrevista, p. 349)
Antes da morte de Epstein, os Beatles tinham lançado a sua obra-prima: “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Os músicos usavam vários tipos de drogas desde a época dos shows em Hamburgo. Isso gerou uma dúvida quanto a letra de “Lucy in the Sky with the Diamonds”, por causa do título com as iniciais de LSD e o conteúdo que retrava imagens bizarras. John Lennon esclareceu que não era disto que eles estavam falando:
“(...) gente que entendeu as iniciais de Lucy in the Sky with the Diamonds eram LSD e que eu estava falando de ácido.
(...) meu filho Julian veio um dia da escola com um desenho, feito por ele, de uma colega chamada Lucy. Ele tinha rabiscado estrelas no céu e chamou o retrato de Lucy in the Sky with Diamonds. Simples, não?
(...) [As imagens da música] eram de Alice no País das Maravilhas.” (Playboy, dezembro de 1980)

A polêmica era justificada porque os músicos de rock tinham o hábito de enviar mensagens “obscuras” em suas canções (inclusive os Beatles). John Lennon tratou do assunto:

“Já passei pela minha fase dylanesca há muito tempo, como músicas como ‘I am the Walruz’; o truque de nunca dizer o que você quer dizer, para dar a impressão de algo mais. Uma boa brincadeira.” (Playboy, dezembro de 1980)

Brincadeira ou não, as celebridades deveriam tomar mais cuidado com o que dizem ou fingem que dizem ao público. Elas servem de modelos (se isso seria correto ou não é outro problema) para muitas pessoas e influenciam os comportamentos de multidões.

No próprio caso dos Beatles, o famoso assassino Charles Manson dizia que as letras das músicas de John Lennon eram “mensagens para ele”, o que, claro, foi negado pelo “beatle” na entrevista para a revista Playboy em 1980.

(*)http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/dates/stories/august/27/newsid_3767000/3767499.stm