quinta-feira, 30 de abril de 2015

FAITH NO MORE

Não são só velhos rockeiros que vivem do passado – com os relançamentos (com material inédito) de velhos álbuns (Led Zeppelin e Rolling Stones).

O grupo Faith No More, atualmente em excursão pelos Estados Unidos, resolveu relançar “The Real Thing” (1989) e “Angel Dust” (1992) com discos extras e raridades, como músicas ao vivo ou de lado B.*

Vi o grupo ao vivo (antes da fama) em 1991. Eles foram escalados de última hora para a noite de heavy metal do Rock in Rio. Ganharam 25.000 dólares pelo show enquanto os Guns n Roses receberam 500.000 dólares para participar do festival.

O Faith No More deu um bom show, assim como o Sepultura na época (e outras bandas, como o próprio Guns, Megadeth e Judas Priest... não gostei muito do Queensryche nesta noite).

Uma história interessante (que contei em outro texto) envolve o Mike Bordin, baterista do Faith No More.
Numa das tentativas de voltar com o Led Zeppelin, Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones ensaiaram com Mike Bordin em junho de 1990. Não deu certo. Jimmy Page não aprovou a performance do baterista do Faith No More. (Classic Rock, January 2001, p. 42) O grupo só usaria o nome sem o John Bonham uma vez, em 2007, com o Jason na bateria.

(*) Kory Grow. Two Faith No More Albums to Get Rarities-Packed Reissues. Rolling Stone, April 23, 2015. http://www.rollingstone.com/…/two-faith-no-more-albums-to-g…

CHARLES MANSON & GUNS N' ROSES

Dizem que existe um fascínio pela figura do "psicokiller" nos Estados Unidos. A palavra lembra de imediato a música do grupo Talking Heads (a letra deve ser percebida pelo tom irônico, claro).
Existem bandas, porém, que levam a sério a tal apologia ao "psicokiller".

Charles Manson cometeu assassinatos com sua "family" e foi condenado a morte (depois ficou mesmo com a prisão perpétua).

Apesar das atrocidades que cometeu, tentaram transformá-lo no ícone da cultura pop. Basta lembrar o nome do grupo Marilyn Manson (Marilyn Monroe + Charles Manson).

Outro exemplo seria a cover de "Look At Your Game Girl" (sim, Manson era compositor) que aparece no álbum "The Spaghetti Incident?" (Guns n Roses). Ela vem "disfarçada" numa música lenta, mas os versos que aparecem não enganam:

"Que desilusão maluca
Vivendo nesta confusão
Frustração e dúvida
Você pode viver sem o jogo?"

E no final da música o Axl Rose ainda agradece ao Charles Manson:

"Pare de tentar
Esse jogo
Triste, triste jogo
Louco jogo
Triste jogo
Obrigado Chas"

O reacionarismo de Axl Rose não seria novidade (o símbolo do nazismo é tatuado no rosto de Charles Manson, isso sem falar de suas teorias sobre uma "apocalyptic race war"), bastaria lembrar outra música "lenta" do Guns n Roses ("One In a Million") em que ele afirma:

"Policiais e crioulos, está certo
Saiam do meu caminho
(...) Imigrantes e bichas
Não fazem sentido para mim"

As belas embalagens (camisetas com desenhos ou fotos dos ídolos, músicas "harmônicas e lentas") disfarçam um conteúdo perigoso, no qual destacam-se elogios ao racismo e ao machismo, bases fundamentais para uma sociedade totalitária.

© profelipe ™ 15-04-2015

A MEIA-IDADE NO ROCK

Chris Rock fez piada da Janet Jackson que mostrou o seu seio direito durante o Super Bowl em 2004. Para ele, além do momento inapropriado, a cantora já estava com quase 40 anos.

A Madonna, com 56 anos, resolveu mostrar a bunda no Grammys 2015. No seu último álbum (“Rebel Heart”), ela parece reclamar de sua “inadequação ao circo pop atual” (Veja, 18-03-2015, p. 97)
A revista Rolling Stone atacou a falta de criatividade dos músicos: “num ano [2014] em que os velhos como Springsteen e U2 têm se envergonhado com álbuns de má qualidade.” *

O U2 já está com a sua 'Innocence + Experinece Tour' programada para 2015, afinal, quem se importa?

Os Rolling Stones farão uma tour pelos estádios dos Estados Unidos entre maio e julho de 2015. Eles não possuem um álbum novo para promover. No entanto, estão relançando Sticky Fingers, em edições de luxo, com faixas inéditas e músicas dos shows da época do lançamento oficial. Eles já fizeram isso antes com os álbuns “Some Girls” e “Exile on Main Street”.

Dizem que o Jimmy Page vive de passado porque ele fez isso com toda a discografia do Led Zeppelin recentemente. OK. Pelo menos o Led Zeppelin não usou isso de pretexto para continuar a fazer tours.

Os músicos de rock quando chegam na crise da meia idade parecem perder a noção do ridículo. Parece que não aceitam o fato de que o tempo passou e de que eles não têm nada novo para apresentar.

Não há como negar que ainda são famosos e milionários. Aproveitam disto para fazer shows, chamar a atenção com “escândalos” ou namorar com garotas de 20 anos.

OK, pensando bem... a maioria faria o mesmo se estivesse no lugar destes caras.

 © profelipe ™ 04-04-2015

(*)http://www.salon.com/…/robert_plant_exclusive_i_don%E2%80…/…

quarta-feira, 25 de março de 2015

QUEEN

Quando eu era o coordenador do The Rover (fã clube do Led Zeppelin), um amigo me disse que gostava muito do Queen, mas de tanto eles falarem do Led Zeppelin, ele tornou-se fã do grupo de Jimmy Page.
Falando das diferenças entre ele, Brian May, e Anita Dobson, quando a conheceu, May admitiu que naquela época ele nunca imaginaria que poderia ficar com alguém que não gostasse do Led Zeppelin:
"I didn’t think that I could ever be with someone who didn’t like Led Zeppelin!.” (!998)
Existe um outro depoimento em que Brian May é mais claro:
“Eu sou o maior fã do led Zeppelin do mundo. A música, a maneira como eles conduziam tudo, toda a estrutura de organização por trás do grupo – eles eram perfeitos. O Queen sempre tocava The Immigrant Song nos ‘sound-checks’ só pela glória do som.”
Eu não gostei quando o Brian May e o Roger Taylor decidiram seguir com a banda mesmo após a morte de Freddie Mercury. Primeiro, criaram o Queen + Paul Rodgers e depois foi a vez do Queen + Adam Lambert.
Em suma, essas mudanças foram polêmicas e muitos fãs não aprovaram tais projetos.
Só depois que fui ler um pouco da vida do Brian May após a morte de Freddie Mercury que pude compreender melhor tudo. A vida do guitarrista simplesmente desabou na época. De acordo com o Daily Mirror de 16 de março de 2012:
“A trágica morte de Freddie Mercury de Aids em 1991 desencadeou uma depressão, que culminou com (...) pensamentos suicidas.”
Não foi fácil para Brian May. Não foi só a morte do vocalista que o levou à depressão:
"O meu pai morreu e tudo aconteceu de uma vez, (...) Perdi um dos meus amigos mais próximos, eu perdi a banda, que era como uma família, eu perdi o meu casamento. Tudo no mesmo ano."
Reconstruir a vida pessoal e retomar a vida profissional não foram tarefas fáceis para o guitarrista do Queen. Não é qualquer que vence uma depressão. Por tudo isso, atualmente, eu tiro o chapéu para o Mr. Brian May.

terça-feira, 24 de março de 2015

PRINCE

Ben Greenman escreveu um belo texto sobre o novo álbum do Prince e sobre a trajetória do artista.
Sempre fui fã do Prince. Comprei VHS, DVDs, CDs e discos.

Algumas vezes (em histórias bem estranhas), tive que comprar o mesmo álbum algumas vezes - como foi o caso do CD triplo "Emancipation" que comprei inicialmente numa loja em Uberlândia e ele foi roubado (junto com outros CDs) numa sacola ao lado da piscina no clube da cidade;
posteriormente, comprei o "Emancipation" em Berlim, ficou satisfeito de ter encontrado novamente o álbum mas... esqueci o "box" numa lanchonete qualquer;
não desisti e comprei o mesmo produto pela terceira vez e é essa a versão que possuo até hoje.

Tive o privilégio de ver o Prince nas únicas duas vezes que tocou no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Eu sabia da importância dos eventos e me recusei em levar a máquina fotográfica porque queria me concentrar só nos shows. Fantásticos, por sinal.

Sobre a crítica de Ben Greenman, ele a encerra com as seguintes palavras:

"Mas esse homem negro está neste estado: ele está na casa dos cinquenta, às voltas com a solidão, o envelhecimento, a inspiração criativa, a auto dúvida numa paisagem cultural que muda, e diante dos dilemas do amor. Com sorte, diante de tudo isso, ele também é o Príncipe."*

Razoável.


(*)Ben Greenman. A Legitimately Magical Prince Album. The New Yorker. September 29, 2014. http://www.newyorker.com/culture/culture-desk/legitimately-magical-prince-album?utm_source=tny&utm_campaign=generalsocial&utm_medium=twitter&mbid=social_twitter

The Sensational Space Shifters

Vi o Robert Plant ao vivo (Morumbi e Pacaembu) na década de 1990. Não fui ao show de 2012 e não pretendo ir nesse agora de 2015.
Por curiosidade, de qualquer maneira, resolvi ver o show que ele fez no México recentemente (no YouTube).
“Rock and Roll”, irreconhecível, foi a última das 12 músicas, sendo que 5 (quase a metade) eram canções do Led Zeppelin.
Chamou a minha atenção o seu símbolo (da época do Led Zeppelin IV) desenhado na bateria.
Li, mais uma vez (nesta tour), comentários maldosos do Plant sobre o John Paul Jones.
Jonesy, com razão, nem deve tomar conhecimento. Aliás, quem efetivamente se importa com o suposto humor inglês do ex-vocalista do Led Zeppelin?
Talvez só mesmo o Robert Plant insista que o seu passado musical da década de 1970 não seria importante agora na sua carreira solo, mesmo considerando que todas as evidências demonstrem o contrário.

© profelipe ™ 24-03-2015

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Bob Dylan e o Led Zeppelin

Peter Grant não era um exemplo de homem educado. Ao contrário. Ele tinha fama de um gangster violento. Ele aparece assim no filme do Led Zeppelin. A sua relação com Jimmy Page, porém, vinha desde a época dos Yardbirds. Nada havia mudado (como lembra a jornalista Chris Welch):
“Na verdade, ele [Peter Grant] tinha um prazer diabólico ao oferecer proteção física aos seus jovens e vulneráveis músicos. Quando uns marinheiros começaram a zombar do Jeff Beck, com seu longo cabelo, e de Jimmy Page, durante uma viagem aos Estados Unidos, na época do Yardbirds, Peter entraria em ação. Ele lembraria mais tarde:
‘Nós três estávamos voando para Miami, me virei e ouviu esses caras. Um deles parecia ser durão, então levantei o sujeito pelo braço e disse:
- Ok, qual é o seu problema Popeye? E o outro correu na hora…’” (Chris Welch, Peter Grant: The Man Who Led Zeppelin)

Por outro lado, Peter Grant teria sido vítima de um fato inusitado:
“Depois de se apresentar ao Bob Dylan em uma festa de LA, Grant ofereceu um caloroso aperto de mão. ‘Eu sou Peter Grant, empresário do Led Zeppelin’, disse ele. Dylan respondeu: ‘Eu não te procuro com os meus problemas, certo?’”*
Bob Dylan era direto e não fazia questão de ser cordial com os outros. Entretanto, não dava para compreender tamanha indelicadeza e de forma tão gratuita.
Jimmy Page, em uma de suas entrevistas em 2014, deu um depoimento que poderia esclarecer a visão que Dylan tinha dele (e provavelmente do Led Zeppelin):
“Para ser realmente honesto, eu gostaria de ter trabalhado com Bob Dylan. Ainda há tempo, mas houve um período em que eu realmente gostaria de ter trabalhado com ele. Na época, ele tinha feito a sua conversão ao cristianismo e todos achavam que eu era o diabo encarnado. Talvez ele poderia pensar que essa não seria a melhor [ideia]. Ele pode ter imaginado que seria como misturar água e óleo, mas, na verdade, em termos musicais, eu teria sido muito bom para ele.”
Quando teve a sua aproximação com o cristianismo (na década de 1970), Bob Dylan teria escolhido o caminho oposto ao de Jimmy Page. O guitarrista do Led Zeppelin defendia o ocultismo e fazia muitas críticas à religião cristã. O seu grupo poderia como "um símbolo" do que ele pensava e isso aparecia nas imagens e nas letras apresentadas da banda.
Neste contexto, não havia possibilidade de uma parceria musical entre Bob Dylan e Jimmy Page (como ele afirmou no depoimento em 2014). A distância que Bob Dylan queria do Led Zeppelin, pelo visto, apareceu ainda no tratamento grosseiro dado ao empresário da banda.
Não existe cordialidade nas ações das pessoas envolvidas nesta história. Peter Grant foi vítima de uma grosseira de Bob Dylan, mas ele próprio se orgulhava da maneira hostil e violenta que utilizava no tratamento dos outros (no sentido de atender os interesses do Led Zeppelin).

(*) http://www.reddit.com/r/todayilearned/comments/rejzs/til_once_introducing_himself_to_bob_dylan_at_an/